Foi realizado na cidade de Cerquilho, no dia
14/05/2011, o Campeonato Paulista de Contra-Relógio Individual, prova única da
modalidade.
Tinha tudo para ser uma boa prova: circuito com boa
pavimentação e sinalização, apoio da guarda municipal na organização do
trânsito e transeuntes e, organização da Federação Paulista de Ciclismo,
conhecida por planejar e executar melhor as provas de ciclismo, principalmente
em comparação com outras populares como, nitidamente só visa
auferir o lucro do evento em detrimento da qualidade do mesmo. Infelizmente,
dessa vez foi bem diferente.
A começar pelas informações prestadas. No ano anterior,
um dia antes da prova, todos os atletas já conheciam a ordem de largada – fator
importante neste tipo de prova onde as largadas são feitas individualmente e de
minuto a minuto. Este ano, a listagem de largadas só foi liberada no local do
evento e há poucos instantes antes do início, prejudicando bastante o preparo
alimentar, psicológico e o aquecimento dos atletas. Isso porque a Federação
Paulista de Ciclismo praticando hábitos já conhecidos de outras “organizadoras
desorganizadas”, resolveu abrir exceções para equipes renomadas e permitiu
inscrições fora do prazo. Outro fator desconsiderado, mas igualmente importante
neste tipo de prova, é que ela tem longa duração já que os atletas saem um por
vez. Ou seja, atrasos significam que os últimos a largarem completarão a prova
no escuro.
Apesar de tudo, não podíamos deixar de participar
pois dali sairia o campão paulista de CRI.
Bom, já há momentos antes da prova quando fazíamos
o aquecimento vem a notícia de que inverteram a ordem de largada das categorias
Sênior A (a minha) e MASTER B, atrasando ainda mais minha categoria que, diga-se
de passagem, tinha um dos números mais expressivos de participantes. Precisa
dizer que todos os atletas que já estavam se aquecendo foram terrivelmente
prejudicados?
Finalmente chega a hora da largada – aproximadamente
às 16h20 – sendo o antepenúltimo a largar. Parti para uma das provas mais
difíceis do calendário, cuja característica principal é “uma jornada solitária
de esforço pleno”.
Logo nos primeiros KM ficava nítido que o trecho da
ida seria o mais difícil. 13,7km quase
somente de subida e contra um vento muito forte. Tenho que confessar que também
não consegui encontrar a melhor posição na bicicleta, outro fator que me
impediu de não conseguir andar forte.
Ao fazer o retorno sabia que precisaria tirar o
atraso aumentando a velocidade. Com o vento nas costas e circuito agora em
descida e plano onde o velocímetro não baixava de 55km/h exceto nas duas únicas
subidas do retorno. Nesse momento o fator tempo, já comentado, se fez presente.
Fora do horário de verão, a falta de luz nessa hora já conseguia atrapalhar. Já
estava escurecendo quando eu e os últimos a largarem ainda estávamos por
completar a prova.
Concluí a maratona muito cansado e com fortes
cãibras, com tempo aproximado de 41 minutos – como apontou o foto
finished da organização e que era similar ao cronometrado em meu
velocímetro. Sabia que não havia conseguido ficar entre os 5 primeiros, mesmo
assim fiquei no aguardo da classificação final. Mais uma vez a Federação
Paulista de Ciclismo roubou a cena e, mais uma vez para prejudicar o evento e
de vez o seu próprio nome. Os tempos divulgados pela bancada responsável pelo foto finished eram simplesmente
incompatíveis com os que começaram a ser divulgados posteriormente pela bancada
de controle final. Sob protestos, com o cansaço imperando e já à margem da
quase total escuridão, “metade” da classificação foi adiada para o dia seguinte
(2º dia de provas, agora de resistência). Pasmem: “metade da classificação”
seria “refeita” no até o dia seguinte. Aí veio nova surpresa. Meu tempo que foi muito abaixo ao que foi publicado, me levando ao 11° colocado. Em conversa com outras atletas,
descobri que vários outros também tiveram seus tempos “corrigidos” pela bancada
final. Descobrimos até duas atletas de uma mesma equipe que, de 2º e 3º tempos,
foram para 4ª e 5ª colocações e o 5º tempo da mesma categoria, incrivelmente,
como passe de mágica, recebeu medalha de prata.
É extremamente desmotivante atletas que se dispõem
a viajar e competir, principalmente para àqueles que cumprem com as normas da
Organizadora. Sendo que as principais promotoras deste tipo de
evento – a Federação Paulista de Ciclismo, em especial – dispõem de recursos
materiais e humanos e aparato tecnológico suficiente para imprimir um resultado
oficial e coeso minutos após o término das provas. São computadores portáteis,
câmeras, marca tempo, impressora e porque não, o velho e simples cronômetro de
mão. Não é possível acharem que com tantos olhos em cima do resultado (é uma
corrida, alguém espera outra coisa de corrida senão tempos e colocações.
É lamentável para aqueles que tentam propiciar e se
valer de atividades e eventos saudáveis além do repetitivo futebol,
desorganizados e vis, além de prejudicar a modalidade já de tão pouco prestígio
nesse país, mesmo às margens de campeonatos mundialmente conhecidos e cada vez
mais incríveis em termos de espetáculo, tamanho de empreendimento, tamanho de
público (espectador local e telespectador), tamanho de envolvimento de empresas
(marqueteiras e patrocinadoras) como são o Tour
de France, Giro d’Italia, Volta da España.
É realmente uma pena!